Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

…mais uma vez



aqui estou para para falar de ti
para me falar de ti
daquilo que não te quero dizer

um dia qualquer
que me apeteça
mostro-te tudo o que falamos
tudo o que queres saber sobre mim
sobre ti em mim
como me pedes na tua curiosidade felina

volto sempre
porque não me apetece partir-me de ti

numa análise cinéfila, diria,
que, como se"o pecado morasse ao lado"
percebes, não é?

quando eu me redimo, voltas tu
para me desassossegar…

que sou má
que sou o teu pecado
que te descontrola a personalidade virgiana…

quando és tu
sou eu que não te sossego
que te alimenta o ascendente carneiro de fogo
a que não resisto
e que te descontrola

que nos restará?
para além deste querer infernal,
a que sucumbimos e que nenhum de nós quer?

ou antes,
que se quer intensamente
sem saber como…



aquela quinta no Douro
talvez nos acalme
e nos deixe viver em felicidade
um dia…

ou então,
teremos que nos esquecer dos sentidos,
dos cheiros, dos sabores, da terra,
da vida.


















Terça-feira, 6 de Abril de 2010

I Want You


um mau estar de não saber o quê assola-me…
fazes-me rir, como eu espero…

"onde estaria sem você
perdida para sempre
o que faria sem seu amor…"

comprovo que és tu
quando te alício até mim.

quando te dissipo as dúvidas
e sucumbes aos meus encantos.

os pássaros já "chilreieiam" a primavera
aqui.



ainda permanece o teu cheiro no meu.


uma memória primordial
para não me deixar esquecer quem eras.





…de quem já não tens memória?




Sábado, 27 de Março de 2010

após algum tempo




uma vez mais após algum tempo voltamos a sucumbir ao nosso desejo inexplicável.

incontrolável.

originalmente falamos das nossas almas.

da presença de outros no nosso caminho.

e do pecado da nossa entrega.

escondida.

dos beijos insanos que trocamos.

e do prazer infímo a que sucumbimos.


e não percebemos as metáforas…
do nosso medo.


eu.
porque sou fêmea digo-te que tenho saudades tuas.

tu.
porque tens medo satisfazes-me.

sorvemo-nos.

não quero controlar o meu corpo.
sou o que desejas.
o que amas.
o que odeias.

e temes.




habita em mim uma vontade de chorar que não consigo expressar.

















Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

(in)evitável


… sorvo o resto do copo de tinto que sobrou do jantar. 
continuo a gostar de sentir o vidro cinzento esfumado. 
o volume e a aspreza dos bicos.
vulgares agora. mas não estes  impregnados de histórias. de lábios.

…acendo o último cigarro da noite.

ligo o mac. 
estás ocupado.
instintivamente fico disponível.
não resistes.
aí, na rua em frente, a uns metros, ligaste a mim.

páro para reflectir. 
venho já, digo.

tínhamos acordado em manter o café casual da esplanada. 
estava bem assim. 
eu saboreava as minhas histórias, os meus recomeços e desfechos.
os meus olhares.
tu, a tua historia…

esperas e eu regresso.

ofereces-me as tuas tentadoras massagens 
para matar cirurgicamente as minhas desculpas banais de fim de um dia.

faço-te-me a vontade prometendo que sim.
que não te vou seduzir.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
o dia abafado, encoberto faz-me parar. sento-me.
sta. catarina, efeverescente de personagens, distraí-me.


a limonada. gelada tranquiliza-me os lábios doridos.























Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

re: 3do7


…rumo ao sul

consegui vivenciar um déjavu, embora de um tempo ainda muito próximo.

a viagem, o aproximar do cheiro a maresia depois de vastos campos, planos, de sobreiros.
a diana só agora, vivencio. essa com a marca de lisboa. muito bom…
lá, nesse tempo, o chillout, a bossa nova acompanhava-me. ainda hoje assim é, por vezes.

antes dos manjares, dos néctares, uma descida de precipícios até à água morna  imensa das praias desertas.
um precipício de emoções até ao limite. 
o saborear da liberdade ilimitada.

depois sim, as boas vindas, os lagostins grelhados, os coentros, o esporão.
e as noites quentes, de luas monstruosamente laranja, imensas.

assim vêem os meus olhos, essas paragens.

Domingo, 5 de Julho de 2009

transparência


depois de um desfecho
cuidadosamente preparado para ser inevitável 
depois da celebração do desejo que a intuição contraria
a minha alma ficou mais leve
contrariamente ao teu semblante
pesado
caído.

enquanto trespassavas a minha porta
em sintonia com o teu tempo
maior que o meu…
eu pensei 

adeus.









Terça-feira, 12 de Maio de 2009

GLAMOUR




...encontramo-nos no acaso.
trocamos olhares vagos. cumprimos as horas do costume. no lugar do costume.
sabiamos que tarde ou cedo a palavra fluía
fluí na vaidade do meu desinteresse…
e porque não ceder ao jogo da sedução? 
alimentei a expectativa de que algo diferente me desencantasse.
me roubasse ao vazio.
provamos íguarias, seduzimo-nos.
medi o tempo que nos afastava.
e no entanto, isso encantou-me.
a distância no nosso tempo…
disseste que estava soberba…
o preto reluzente e ezímio do carro em que me conduzias
condizia com os teus botões de punho.
e tu elegante como o momento exigia. como disseste.
sorri.
deliciaste-me com aquele peixe galo regado a douro branco.
alto douro…
levaste-me a dançar áquele club.
só lá era possível dançar assim.
como desejavas.
com os corpos esmagados.
um contra o outro em ritmos de outros tempos.
do teu tempo.
que eu incorporei.
enfeiteiçei-me com as tuas vivências.
do sul da europa às illhas gregas. 
ao resto do mundo. onde me me queres levar.
eu sei que sim.
que terias orgulho que te desse o braço pela mundo fora.
tal como quando passeamos ao fim da tarde.
de braço dado.
enfeiticei-me
com o teu élan.
com a  elegância que te corre nas veias.
com as conversas sem fim que alimentamos…
com os beijos que me dás de olhos fechados.

queria tanto meu querido apaixonar-me perdidadamente por ti…